A digitalização da gestão pública avança em todo o Brasil, mas o Interior Paulista mostra uma realidade desigual. Enquanto algumas prefeituras apostam em plataformas para agilizar atendimento ao cidadão, tributos e protocolos online, outras ainda operam com sistemas defasados ou processos inteiramente manuais. A corrida pela transformação digital ganhou força após a pandemia, mas agora enfrenta entraves estruturais: falta de conectividade nas zonas rurais, escassez de profissionais qualificados e orçamentos limitados.
Levantamento da Undime-SP (União dos Dirigentes Municipais de Educação) e de consórcios intermunicipais revela que menos da metade das cidades com menos de 50 mil habitantes possui um sistema completo de atendimento digital ao cidadão. Em alguns casos, o próprio site institucional da prefeitura é desatualizado ou indisponível.
Desburocratização é prioridade
Municípios como Lençóis Paulista e Assis saíram na frente e já oferecem mais de 80% dos serviços municipais em formato digital, como IPTU, certidões, inscrição em programas sociais e agendamento de atendimento. A economia de tempo e recursos é expressiva.
Cidades pequenas ainda no papel
Em municípios com menos de 20 mil habitantes, como Mirante do Paranapanema ou Torrinha, os protocolos ainda são feitos em papel. Isso dificulta o controle de processos, aumenta a burocracia e afasta o cidadão do poder público.
Educação e saúde digitalizadas
Algumas cidades, como Botucatu e Catanduva, investem em prontuários eletrônicos, agendamento de consultas e boletins escolares online. A meta é integrar as áreas de saúde e educação em plataformas únicas, mas nem todos os municípios têm estrutura para isso.
Desafios da conectividade
A falta de internet de qualidade nas zonas rurais e bairros periféricos afeta a efetividade de serviços digitais. Mesmo com sistemas modernos, muitos cidadãos ainda precisam se deslocar até prédios públicos para resolver questões simples.
O que o Interior precisa para avançar:
- Capacitação de servidores em tecnologia e gestão digital
- Acesso universal à internet de alta velocidade
- Financiamento e consórcios para soluções regionais
- Adoção de plataformas públicas como GOV.BR ou softwares livres
- Campanhas de inclusão digital para a população
Déficit habitacional avança no Interior Paulista e pressiona políticas públicas
Com o aumento do custo de vida e a migração interna de grandes centros para cidades médias e pequenas, o Interior Paulista vive uma silenciosa crise habitacional. Em muitos municípios, o déficit de moradia cresceu nos últimos cinco anos, segundo dados da Fundação Seade e do IBGE. Aluguéis subiram acima da inflação, programas habitacionais patinam na execução e novos loteamentos surgem em áreas com pouca infraestrutura. A tendência desafia prefeituras e governos a reformular suas políticas urbanas, equilibrando crescimento econômico e qualidade de vida.
Segundo a Fundação João Pinheiro, o déficit habitacional no Estado de São Paulo ultrapassa 900 mil unidades, com forte presença em regiões como Sorocaba, Presidente Prudente e Bauru. No Interior, o problema se manifesta principalmente na forma de coabitação forçada, alto comprometimento da renda com moradia e favelização em áreas de expansão urbana. Muitos municípios ainda não possuem planos diretores atualizados ou estratégias específicas de habitação social.
Cidades médias sentem o impacto
Campinas, São José do Rio Preto e Marília viram os aluguéis médios subirem mais de 25% desde 2021. A falta de imóveis disponíveis de baixo custo empurra famílias para bairros mais distantes e mal atendidos por transporte e serviços.
Urbanização informal
Regiões periféricas de cidades como Franca e Araçatuba apresentam crescimento de loteamentos sem regularização fundiária. Muitas vezes, são áreas com risco ambiental e sem acesso adequado à água, esgoto ou coleta de lixo.
Demanda reprimida
Em cidades como Botucatu e Ourinhos, milhares de famílias estão na fila por habitação popular. Programas como o Minha Casa Minha Vida e o Casa Paulista enfrentam entraves burocráticos e atrasos na entrega das unidades.
Jovens sem alternativa
A dificuldade de acesso à moradia afeta diretamente jovens adultos que buscam independência, mas não conseguem alugar ou financiar imóveis. Muitos seguem morando com os pais mesmo após formar família.
Desafios para os próximos anos:
- Atualização de planos diretores para prever crescimento ordenado
- Incentivo à habitação de interesse social com infraestrutura completa
- Regularização fundiária de áreas já consolidadas
- Parcerias público-privadas para novos modelos habitacionais
- Planejamento metropolitano em regiões como Sorocaba e Ribeirão Preto
