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De festivais a editoras independentes, passando por produções audiovisuais e oficinas culturais, a economia criativa vem ganhando protagonismo no interior paulista. Municípios como Piracicaba, Bauru, Presidente Prudente e São João da Boa Vista têm fomentado ações que geram trabalho, turismo e identidade local. Segundo levantamento da Fundação Seade, os setores criativos já respondem por 3% do PIB paulista, e o interior vem ampliando sua participação com novos editais, circuitos culturais e fortalecimento de pequenos empreendedores do setor.
Festivais como motor econômico
Eventos como o Festival Literário de Votuporanga, o Arraial de Barretos, o Festival de Teatro de Presidente Prudente e o Revelando SP, realizado em cidades-polo, têm atraído milhares de visitantes e movimentado setores como hospedagem, alimentação, transporte e artesanato. Só o Revelando SP gerou mais de R$ 5 milhões em vendas diretas em 2023.
Cresce o audiovisual regional
Cidades como Campinas, Sorocaba e Ribeirão Preto vêm se consolidando como polos de produção de vídeos institucionais, documentários e webséries. Editais estaduais e leis de incentivo locais possibilitam a profissionalização do setor e a geração de empregos em áreas como roteiro, produção, edição e figurino.
O boom das editoras e selos independentes
Pequenas editoras em cidades como Botucatu, Araraquara e Franca ganham espaço com publicações de autores locais e temáticas regionais. A demanda por livros de tiragem média impulsiona gráficas, revisoras e livrarias de bairro. O fenômeno também reflete o aumento de feiras literárias em cidades fora do eixo Rio-São Paulo.
Oficinas e cursos como geração de renda
Em municípios de médio porte, cresce a oferta de oficinas de teatro, música, marcenaria artística e design têxtil, muitas vezes em parceria com Sescs, Senacs e prefeituras. Além do impacto formativo, essas ações permitem que jovens e adultos gerem renda com produtos e serviços criativos de baixo custo e alta demanda.
Toques rápidos:
· Taubaté lança incubadora de empreendedores culturais.
· Registro e Botucatu abrem edital para bandas autorais.
· Piracicaba investe em circuito de arte urbana.
· Marília cria fundo permanente para cultura de base comunitária.
Interior paulista amplia rede de atenção psicossocial
Cidades médias e pequenas do interior de São Paulo têm avançado discretamente na estruturação de políticas públicas para saúde mental. Dados da Secretaria Estadual da Saúde mostram que houve aumento de 27% nos atendimentos em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) entre 2022 e 2024 em regiões como Araçatuba, Itapeva e Vale do Ribeira. Embora ainda insuficiente diante da demanda crescente, o movimento revela uma preocupação maior com o cuidado integral, especialmente em tempos de pós-pandemia, crise econômica e aumento dos quadros de ansiedade, depressão e burnout.
Escolas como porta de entrada
Redes municipais de ensino em cidades como Ourinhos, Bragança Paulista e Assis passaram a incluir psicólogos educacionais na rotina escolar. Além do suporte a alunos com sofrimento emocional, os profissionais atuam junto a professores e famílias, promovendo ações de prevenção e escuta qualificada. Em algumas regiões, há também grupos terapêuticos nas escolas.
CAPS ganham nova configuração
Municípios como Lins, Registro e São João da Boa Vista reestruturaram suas unidades de CAPS com ampliação de equipe técnica, oficinas terapêuticas e articulação com a rede básica. A meta é substituir a lógica hospitalocêntrica por uma abordagem territorial, humanizada e inclusiva. Pacientes com transtornos graves têm acesso a tratamento contínuo, sem precisar se deslocar para grandes centros.
Iniciativas comunitárias e de igrejas
Em cidades como Tupã, Batatais e Itatiba, grupos comunitários e igrejas vêm oferecendo rodas de conversa, acolhimento emocional e escuta ativa. Esses espaços complementam a rede pública e atendem pessoas que não acessariam os serviços formais por estigma, distância ou falta de informação. A articulação entre SUS e sociedade civil tem sido essencial para ampliar o alcance.
Desafios persistem
Apesar dos avanços, faltam psiquiatras e psicólogos em tempo integral na maioria dos municípios, e o tempo de espera por atendimento pode ultrapassar 60 dias. A sobrecarga da atenção primária e a falta de leitos psiquiátricos regionais ainda comprometem a resposta adequada em crises agudas. Especialistas defendem aumento do investimento e mais formação em saúde mental comunitária.
Toques rápidos:
· Bauru aprova lei para semana municipal da saúde mental.
· Birigui implementa programa de prevenção ao suicídio.
· Capivari cria atendimento psicológico em UBSs rurais.
· Jaú inclui saúde emocional no pré-natal de risco.
