Mídias locais geram mais confiança, aponta pesquisa na Inglaterra

Estudo realizado na Inglaterra pela YouGov, encomendado pela Local Media Works, descobriu que os jornais impressos locais lideram o ranking de confiança, com 74% dos respondentes concordando que acreditam mais nas notícias e informações que leem. TV e rádio ficaram em segundo lugar — com aproximadamente 73% de confiança —, enquanto os motores de busca seguiram 43% e as mídias sociais apenas 22%. A pesquisa é tema de artigo assinado por Rodrigo Oliveira, editor do site Comunique-se. Segue a íntegra do artigo:

MÍDIAS SOCIAIS GERAM MAIS CONFIANÇA. O QUE ISSO IMPACTA?

Por Rodrigo Oliveira/ Comunique-se

Ainda hoje, ouvimos muito a velha discussão acerca da mídia local quando comparada com a mídia nacional. Em qual acreditar mais? Geralmente, jornais regionais, seja televisão, rádio ou impresso, transmitem melhor a mensagem de alguma notícia específica e, por conversarem exatamente com um público daquela cidade, região ou bairro, transmitem mais cedibilidade. Obviamente que uma notícia publicada num grande veículo de comunicação — de âmbito nacional — tem um impacto significativo, mas ainda assim a repercussão ou confiança no noticiário local é maior.

Uma pesquisa realizada na Inglaterra comprovou justamente isso. O estudo da YouGov foi encomendado pela Local Media Works e descobriu que os jornais impressos locais lideram o ranking de confiança, com 74% dos respondentes concordando que acreditam mais nas notícias e informações que leem. TV e rádio ficaram em segundo lugar — com aproximadamente 73% de confiança —, enquanto os motores de busca seguiram 43% e as mídias sociais apenas 22%.

Para o assessor de imprensa, qual impacto que esse resultado tem? Podemos dizer que a estratégia de algumas assessorias ainda continua falha. É comum ver assessores enviando releases para mais de 10 mil jornalistas com o mesmo assunto. Ou seja, o assessor de comunicação — não todos — não segmenta o assunto do release para quem exatamente se interessa por ele.

É muito mais fácil uma notícia sair num veículo local e segmentado do que num de porte grande. O objetivo é apenas acertar e enviar o release para a pessoa que precisa daquela informação.

Por exemplo: um release que informa sobre a contratação de um novo médico pelo Hospital das Clínicas. Nesse caso, a estratégia do assessor deveria ser a de segmentar essa mensagem para profissionais que cobrem a área da saúde ou direcionar para diários da região para que a matéria tenha efeito.

O que muitos ainda fazem é disparar o release para todos que estão no mailing com a intenção de conseguir sair na grande mídia. Se você quer que uma informação cause efeito, use a mensagem certa para o público certo. Consequentemente, se o assunto for muito relevante, consequentemente atingirá um nível nacional.

A pesquisa divulgada também mostra o quão relevante são as mídias consideradas “tradicionais”, em comparação com outros meios que surgiram com a tecnologia, como blogs, sites e mecanismos de busca.

“Esse estudo fornece evidências mais convincentes de um ressurgimento da confiança nos meios de comunicação tradicionais, com a mídia local liderando o caminho, à medida que o público se torna cada vez mais consciente dos perigos associados às plataformas sociais e notícias falsas”, disse Craig Nayman, Local Media Works presidente. “No clima atual, a confiança é um prêmio e os anunciantes grandes e pequenos devem reconhecer as vantagens claras de parceria com a mídia local para se comunicar com o público em um ambiente seguro, confiável e altamente efetivo”.

O trabalho foi realizado no início de fevereiro, com uma amostra de 2131 adultos maiores de 18 anos.

“Conforme demonstrado nos dados desta pesquisa, a confiança nas mídias sociais como fonte de notícias é particularmente baixa, seguida de buscas gerais na Internet, enquanto a confiança nas marcas de notícias estabelecidas é muito maior”, acrescentou Justin Marshall, diretor associado, YouGov – Digital , Setor de mídia e tecnologia.

Rodrigo Oliveira – Analista de Marketing do Comunique-se. Aficionado por conhecimento, novas tecnologias, inovação e startups. Autodidata e curioso de nascença tem como sua principal fonte de conhecimento a internet. Texto publicado originalmente no site Comunique-se