Contexto Paulista: Investimentos empresariais anunciados em SP são duas vezes e meia superiores aos de 2020

Wilson Marini – Rede APJ

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Esta coluna é publicada pelos grupos de comunicação da Associação Paulista de Portais e Jornais (APJ), rede formada por 16 líderes de prestígio regional com circulação no Estado de São Paulo

Entre janeiro e novembro de 2021 foram anunciados investimentos de R$ 6,7 bilhões para a indústria paulista segundo revelam dados preliminares da Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo (Piesp), da Fundação Seade, divulgada nesta semana. O valor, se confirmado, é duas vezes e meia maior que o montante de recursos direcionados em todo o ano de 2020 (R$ 2,5 bilhões).

Concentração

Cinco ramos industriais concentraram 89% dos investimentos: metalurgia (R$ 2,0 bilhões), produtos químicos (R$ 1,5 bilhão), minerais não metálicos (R$ 1,2 bilhão), produtos de madeira (R$ 722 milhões) e máquinas e equipamentos (R$ 625 milhões). Os demais R$ 769 milhões referem-se a investimentos em outros nove subsetores da indústria.

Investimentos por regiões

Dois terços dos recursos dividiram-se entre as regiões de Sorocaba (R$ 2,7 bilhões) e de Campinas (R$ 1,8 bilhão). Na sequência, aparecem a Região Metropolitana de São Paulo (R$ 408 milhões) e as regiões Central (R$ 143 milhões), de Barretos (R$ 140 milhões) e de Ribeirão Preto (R$ 120 milhões). Os investimentos com abrangência em mais de uma região totalizaram R$ 1,4 bilhão.

Construção civil bombando

Entre os fatores que influenciaram positivamente os investimentos, segundo a agência do governo paulista InvestSP destaca-se a expansão da construção civil, que aumentou a demanda por insumos como vergalhões de alumínio, produtos de madeira e revestimentos cerâmicos. O anúncio de maior valor foi o da empresa CBA, que ampliou a produção de alumínio para construção civil e outros fins, no município de Alumínio.

Indústria química

Em química, destaca-se a expansão da planta da empresa CJ, de lisina (aminoácido da cana para ração animal), em Piracicaba, e a da Vedacit (mantas asfálticas), em Itatiba. A Dexco (ex-Duratex) anunciou planta de revestimentos cerâmicos, em Botucatu, e ampliação das unidades de louças/metais sanitários e painéis de madeira. A Tenda noticiou “fábrica de casas” (vigas, paredes de madeira, para montar no canteiro de obras), em Jaguariúna.

Investimentos do Estado

O Estado de São Paulo praticamente dobrou o volume de investimentos, passando de R$ 12,4 bilhões em 2020 para R$ 23,3 bilhões empenhados em 2021. Os dados foram fechados nesta terça-feira (04) e mostram que o Estado superou a meta estabelecida em 2021, que era de R$ 22,5 bilhões. Segundo o governo estadual, os números confirmam a maior recuperação da capacidade de investimento estadual desde 2015, quando o Estado totalizou R$ 18,5 bilhões.

R$ 27,3 bilhões em 2022

Para este ano de 2022, o orçamento do Estado prevê investimentos da ordem de R$ 27,3 bilhões. O investimento de maior impacto é a retomada da construção da Linha-6 Laranja do Metrô. Com previsão de R$ 15 bilhões, a obra na capital é considerada a maior da América Latina na área de infraestrutura e já gera 3 mil empregos. A partir de janeiro de 2022, a Linha-6 deverá contar com 5 mil postos de trabalho e saltar para 9 mil vagas em março de 2024. O Pró SP inclui ainda a construção da Linha-17 do monotrilho e as extensões da Linha-2 Verde do Metrô e da Linha-9 da CPTM. A despoluição do rio Pinheiros, os Contornos da Rodovia dos Tamoios, o Hospital Pérola Byington e a concessão rodoviária Piracicaba-Panorama, com 1,37 mil quilômetros de extensão, também integram o programa.

PIB de 6,2% em 2021

As projeções da Fundação Seade para o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado de São Paulo em 2021 são de mínima de 5,6%, média de 6,2% e máxima de 6,4%, permanecendo acima do carregamento estatístico de 2020 para 2021, calculado em 4,9%. Para a economia brasileira, as projeções são de mínima de 4,2%, máxima de 4,5% e média de 4,3%.

Projeção para 2022

Com relação a 2022, as projeções para a economia paulista são de mínima de 0,8%, média de 1,3% e máxima de 1,8%. Para o PIB brasileiro, a média projetada é de 0,9%, com a mínima em -0,2% e a máxima de 1,7%, contemplando pela primeira vez a hipótese de uma recessão no próximo ano.

PIB+30

Em outubro de 2021, a economia paulista apresentou estabilidade, com recuo de -0,2%, mantendo-se em patamar superior aos níveis anteriores à pandemia. No acumulado de 12 meses, o PIB+30 de outubro apresentou resultado positivo de 6,7%. Enquanto que nos dez primeiros meses de 2021 o PIB+30 avançou 6,8% em relação ao mesmo período de 2020. O PIB+30 é um indicador que permite observar as estatísticas preliminares do PIB do Estado de São Paulo.

PIB Trimestral

De acordo com o Seade, o PIB paulista recuou 0,6% no trimestre encerrado em setembro, já descontados os efeitos sazonais. No confronto entre os acumulados nos últimos quatro trimestres e os imediatamente anteriores, avançou 7,0%, com taxas positivas de 8,2% para a indústria, 7,1% para os serviços e decréscimo de -4,0% para a agropecuária.

PIB Mensal

Entre os meses de agosto e setembro, a economia paulista recuou -1,0% com acréscimos nos setores da indústria (0,2%), agropecuária (0,6%) e queda nos serviços (-1,3%). No acumulado no ano em relação a igual período do ano anterior, o PIB apresentou acréscimo de 7,8%, com aumento na indústria (9,3%), nos serviços (7,6%), e recuo de -4,3% na agropecuária.